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Dá Mesquita expõe no Museu da Moeda

Horácio Dá Mesquita apresentou um vasto acervo de peças cerâmicas do Banco Nacional de Angola (BNA), inspiradas na moeda nacional.

Por Líria Jerusa | Fotografia Carlos Muyenga

Horácio Dá Mesquita apresentou nesta semana no museu da moeda um vasto acervo de peças cerâmicas do Banco Nacional de Angola (BNA) inspiradas na moeda nacional.

O artista plástico, que também é ilustrador da moeda nacional, partilhou com o público a riqueza que o País oferece, desde a matéria-prima até à fabricação de elementos decorativos e construtivos.

As peças estarão patentes até ao dia 18 de Agosto e representam a arte cerâmica dos diversos pontos do território nacional, e cada uma delas reuniu diversas técnicas e acabamentos, distintas pigmentações, texturas e incisões, quer sejam elas geométricas, figurativas ou simplesmente decorativas, que podem visivelmente ser encontradas nas notas da família kwanza e nas moedas metálicas. O produto é resultado de um trabalho árduo que perdurou por um ano. Segundo o lendário artista, a inspiração na escolha da moeda nacional deveu-se ao facto de a moeda também ser inspirada e possuir ferramentas que os antepassados já haviam deixado, considerando-as como uma inércia.

Referenciou ainda Horácio Dá Mesquita que a exposição poderá servir como uma lição não só para os angolanos como para todos os aqueles que exportam tais matérias para o País, alertando que “os seus dias estão contados” devido à matéria-prima que possuímos ser de qualidade superior ao que se importa.
Horácio esclareceu que parte do material em exposição reflecte apenas a região do Bengo, mas que está nas pretensões do artista a exploração de outras áreas do País.

“Tenho tido algumas dificuldades de trazer os caulinos do Lubango, são os melhores caulinos do mundo, e os japoneses tiravam daqui e faziam porcelana deles, e não há razão nenhuma para importamos tal material”, finalizou.

Segundo o artista, estão em carteira projectos para a construção de módulos pequenos de cerâmica modular que poderão ser distribuídos em todo o território nacional. “Começaremos a produzir louça sanitária, azulejos e toda a louça de construção civil”, remata. Na cerâmica patente em exposição, Horácio Dá Mesquita conjuga diversos elementos e a ligação entre eles, sob outro contexto, dando origem a uma variedade de padrões e a novas linguagens artísticas que por sua vez reafirmam e exaltam a riqueza cultural de Angola e a angolanidade.

Sobre o artista

Horácio Dá Mesquita nasceu em Benguela em 1953. Frequentou a Escola Bordalo Pinheiro Cerâmica em Portugal, tendo estagiado na fábrica de cerâmica SECLA, especializando-se em cerâmica industrial e tecnologia termodinâmica.

Dedicou-se à tecnologia de metais e construção de máquinas e fundição no Algarve. De volta à sua terra natal, dedica-se à cerâmica para além de ilustrações de selos para os Correios de Angola, sendo actualmente consultor do BNA.

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