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Ken Moore (Mastercard): “Bitcoin não é uma moeda segura”

Especialista aposta nas “national digital currencies”, ou seja, moedas digitais que também têm a tecnologia blockchain mas que são reguladas.

Por Diogo Ferreira Nunes

“Poderemos ter a Mastercard a lidar com os pagamentos feitos através de moedas digitais como a bitcoin ou a ethereum?”. A pergunta lançada a Ken Moore, líder do laboratório de desenvolvimento desta empresa de pagamentos foi prontamente respondida com um não.

A Mastercard recusa-se a apostar neste tipo de moedas e vai mesmo mais longe nas críticas a estas divisas. “Não sou um grande fã da bitcoin. Não é uma moeda segura. Adoro a tecnologia de base, a blockchain [transação concretizada assim que a ordem é dada pelo cliente, que pode ser alavancada]. O propósito da bitcoin é um pouco dúbio e tem demasiada volatilidade nos mercados”, assinalou Ken Moore na quarta-feira, num encontro com jornalistas da Mastercard realizado em Manchester, Inglaterra.

O responsável de desenvolvimento da empresa lembrou as variações do preço da bitcoin. Nos últimos 30 dias, cada bitcoin chegou a variar entre 2800 dólares (20 de Junho) e os 2310 dólares (20 de Julho). Pelo meio, chegou a negociar abaixo dos 2000 dólares, segundo o portal Coindesk. O também vice-presidente executivo da empresa preferiu destacar a importância da tecnologia de base. “Estou muito mais interessado em moedas digitais registadas do que em moedas digitais como a bitcoin, que não estão devidamente certificadas. As moedas que estão reguladas pelos bancos e que têm protecção junto dos consumidores são importantes.

Prefiro valorizar uma solução técnica diferente e que permite transacções mais rápidas, baratas e seguras. São soluções necessárias mas que têm de ser reguladas pelo Tesouro ou por um banco central de um país para garantir a protecção dos consumidores.” Ken Moore fala, por isso, das “national digital currencies“, ou seja, de moedas digitais que também têm a tecnologia blockchain como ponto de partida mas que são reguladas pelas autoridades monetárias dos próprios países. “Há vários países que estão preparados para experimentar esta tecnologia, como Inglaterra, China, Canadá e Senegal.”

No caso da China, por exemplo, os testes arrancaram no primeiro trimestre através do próprio banco central. Para comprar uma bebida, em vez de moedas ou cartões, os chineses estão a fazer leitura de códigos QR e os pagamentos são feitos dentro de uma aplicação no smartphone, segundo a Bloomberg. O Governo local quer promover esta forma de pagamento, amiga dos consumidores e dos comerciantes, que passam a ter menos custos com intermediários. O responsável da Mastercard acredita que se estas moedas entrarem brevemente em ação “a bitcoin pode desaparecer: estas moedas têm todas as vantagens técnicas sem os inconvenientes de segurança”.

O lançamento destas moedas virtuais, contudo, não está imune de desafios. “Se um país lançar uma moeda digital regulada, coloca várias questões junto dos bancos e na economia. Se os cidadãos passarem a ter acesso direto às contas, os bancos perdem acesso a capital para emprestar dinheiro. O custo dos empréstimos pode aumentar drasticamente e levar os governos a subsidiar os bancos. Os governos têm de equilibrar esta situação”, alerta Moore.

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