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Espaços públicos: Funções sociais “Mais saúde para todos”

A BSArch regressa a estas páginas para continuar a sonhar, desta vez com uma Luanda mais saudável. E para o efeito apresenta uma abordagem em que os espaços públicos são agentes activos na promoção da saúde pública.

Por BS Arquitectos 

“O quintal está cheio de mosquitos. Vou mandar cortar essa árvore!”, dizia, entre dentes, a dona da casa, que, a meio da tarde, olhava para aquela árvore frondosa e reagia como se estivesse a ser insultada.

No quintal, o marido colocava pequenos bancos debaixo da árvore, onde habitualmente acolhia meia dúzia de amigos que todos os dias passavam, no final da jornada, para dois dedos de conversa. Ouvia as queixas da mulher, queria arrancar a árvore por causa dos mosquitos… Mas estava decidido: não iria fazer-lhe a vontade!

O argumento dos mosquitos durava há meses. E ganhou força quando quase todos os vizinhos resolveram cortar as suas árvores. Pouco convencido, embora notasse que, em certas alturas, havia uma maior concentração de mosquitos na zona, rapidamente relembrava o tempo em que não se via sequer um mosquito. Chegou a debater o assunto com os amigos. Era ponto assente que a árvore iria ficar, mas a relação causa-efeito estava longe de ser consensual…

As pessoas cortam árvores para afastar os mosquitos, o que é já quase um mito na nossa cultura. Mas serão as árvores ou a falta de saneamento a atrair os mosquitos?

O verdadeiro problema é, de facto, a falta de saneamento básico, que resulta em águas paradas, lixeiras a céu aberto e poeira, o que acaba por atrair estes insectos.

A origem da proliferação de mosquitos até é bem conhecida entre nós, mas recorre-se muito à solução imediata, contudo ineficaz, e lá se vai mais uma árvore.
É verdade que o dono de um quintal tem o direito de decidir cortar ou não a sua árvore, mas não podemos permitir que este mito afecte também os espaços públicos. Será benéfico desenvolver espaços públicos eficientes, com conceitos de saneamento básico evolutivos, de acordo com os planos directores municipais, adequados à nossa realidade e que beneficiem a saúde pública.

RESÍDUOS: “Longe da vista, longe do coração”

Neste momento, está a ser aplicado um sistema de armazenamento subterrâneo nos Mártires, em Luanda, que deveria ser alargado a mais bairros da cidade. O lixo deixa de estar em contacto directo com as pessoas, tem uma deterioração mais lenta e liberta menos cheiros.

Estas estruturas são, nomeadamente, simples, funcionais, com maior durabilidade, tendo capacidade até cinco toneladas de lixo, e requerem pouca tecnologia. São uma tendência nos grandes centros urbanos, pelos benefícios e eficiência que apresentam. Além de reduzirem drasticamente o impacto dos resíduos a céu aberto, é de salientar que, em áreas com sistemas de redes subterrâneas já consolidados, estas soluções só podem ser implementadas se integradas num processo de reestruturação urbana mais alargado.

A regularização de toda a infra-estrutura é prioritária e obrigatória. E, no fundo, a dinâmica da recolha e tratamento dos resíduos é a componente que complementa esta cadeia, devendo ser tida em conta no processo de criação do espaço público. É inconcebível que a recolha seja feita, por vezes, em carrinhas abertas, nas horas de ponta, causando engarrafamentos e o transbordo dos resíduos nas estradas. A recolha deve ter horários próprios e os depósitos devem estar melhor localizados e mais acessíveis.

Leia mais, nesta edição de Julho da Revista Rumo. 

 

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