Connect
To Top

Vida nova para o BPC: Cem dias de gestão

O caminho começa com uma “situação financeira desafiante”, que obriga a uma pequena ‘revolução’ interna para recuperar um banco com problemas de malparado e de reputação. Mas o roteiro de Ricardo Viegas d’Abreu para recentrar a actividade do BPC já começa a dar frutos. Saiba como é que o novo PCA quer fazer o banco público renascer para ocupar o lugar que merece na economia angolana.

Por Ricardo David Lopes | Fotografia Njoi Fontes

Quando entrou pela primeira vez no Banco de Poupança e Crédito (BPC) como Presidente do Conselho de Administração, no dia 3 de Abril, Ricardo Viegas d’Abreu já conhecia, pelo menos em parte, a dimensão do desafio que tinha pela frente.

Menos de um mês antes, a 9 de Março, o Governo aprovara um plano de recapitalização e reestruturação da instituição – posteriormente validado pelos accionistas (Estado, representado pelo Ministério das Finanças, Instituto Nacional de Segurança Social e Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas) – que não deixava margem para dúvidas sobre os rumores que circulavam há meses de forma persistente, apontando, no limite, para a alegada falência técnica. A situação era grave.

Mas os sinais de que algo estava mal – e de que o Governo iria intervir – vinham detrás. Em Outubro de 2016, o ministro das Finanças admitira que o BPC estava a viver” um momento muito particular da sua história”, anunciando a intenção do Executivo de sanear e reestruturar a instituição. “Vamos fazê-lo para que o banco sirva convenientemente o Estado, o seu único accionista”, disse então Archer Mangueira.
Semanas antes, em Setembro, a Lusa também já tinha noticiado uma emissão, pelo Estado, de cerca de 231,1 mil milhões Kz em dívida a favor da Recredit, a sociedade pública criada para gerir alguns activos financeiros do
banco estatal.

Não é de estranhar, por isso, que, ao ocupar o seu gabinete na sede do banco, no 18.º andar da Torre Elyseé, paredes meias com o ‘velho’ edifício do BPC, Ricardo Viegas d’Abreu tenha encontrado “uma instituição que caminhava lentamente”, como o PCA viria a admitir, em Julho, na conferência de imprensa onde fez o balanço dos 100 primeiros dias de mandato.

Cem dias depois, volta a normalidade

O BPC, afirmou na altura o gestor, estava “praticamente parado”, mas hoje está “a andar normalmente”. Os primeiros três meses de trabalho, garantiu, permitiram “inverter o quadro”, tornando o BPC num “banco funcional, capaz de cumprir com o plano de recapitalização e reestruturação delineado e aprovado”.

O cenário de partida era complexo e exigia uma gestão mais tecnocrata e focada em resultados. No final de Maio, naquela que foi a sua primeira comunicação ao mercado, o BPC anunciara ter encerrado 2016 com um resultado líquido negativo de 29,5 mil milhões Kz, afectado, sobretudo, pela constituição de provisões por imparidades de crédito num montante de 72,7 mil milhões Kz.

No comunicado em que anunciou as contas, o BPC – que tem hoje um mal parado aproximadamente de 500 mil milhões Kz – explicou também que medidas iriam ser tomadas para devolver ao banco o seu papel fulcral na economia angolana. O Plano de Recapitalização e Reestruturação, que pretendia “assegurar a manutenção de uma posição financeira sólida e de um nível de rendibilidade sustentável e adequado ao perfil de risco do BPC”, aponta para um aumento do capital social por subscrição de acções ordinárias pelos accionistas (90 mil milhões Kz), a venda de malparado à Recredit, por contrapartida de Obrigações do Tesouro (231 mil milhões Kz), e uma emissão de instrumentos de dívida subordinada convertível elegível para Fundos Próprios Base (72 mil milhões Kz).

Apesar dos maus resultados, nem tudo era ‘negro’, ou seja, havia sinais encorajadores: em 2016, os depósitos tinham subido 12,1%, a margem financeira e o produto bancário tinham avançado 24,8% e 8,5%, respectivamente, o activo líquido crescera 26,2% e a base de clientes aumentara 7,9% (são cerca de 2,2 milhões, atendidos em mais de 400 balcões).

Foi também nesse documento que a Administração anunciou o Plano de Acções Imediatas (PAI), traçado pouco depois de assumir os destinos do BPC, que visa “incutir em toda a organização a monitorização da actividade através de indicadores de gestão e controlo orientados para a dinamização da actividade do banco, eficácia comercial e eficiência operativa”.

O PAI, explicou Ricardo Viegas d’Abreu, no balanço dos 100 dias, preconiza mexidas na “organização e no capital humano, a gestão da mudança, a gestão das operações e a melhoria dos níveis de serviço, a optimização dos processos de sistemas de informação (quer em termos de operação quer de controlo de custos), a dinamização e a reorganização comercial, a par da “monitorização de riscos e dos sistemas de controlo”.

“Nestes primeiros 100 dias em funções decidimos centrar o nosso trabalho em torno de três grandes áreas: relação de excelência com o banco central, apostando cada vez mais na adopção das melhores práticas de governo e de compliance defendidas e aceites por toda a comunidade financeira mundial; segmentação dos clientes BPC e foco na actividade comercial do banco”, adiantou o PCA, que lidera também a Comissão Executiva.

Leia mais, na edição Agosto da Revista Rumo, já nas bancas. 

You must be logged in to post a comment Login