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Espaços públicos Funções económicas: “Zunga”

A maioria das cidades tem origem numa ou em várias funções elementares: o comércio, a indústria, a administração e a defesa, mas o desenvolvimento de qualquer uma delas está naturalmente ligado à economia de troca. A abordagem que aqui propomos tem por base a necessidade de formalizar a venda ambulante através da redefinição e criação de espaços públicos.

Nas últimas décadas do século XX, o planeamento urbano tinha como base uma estrutura rígida, para acomodar zonas específicas para serviços e produtos singulares, como a indústria, o comércio, o lazer, a zona político-administrativa, a educação, a saúde e a habitação. Zonas definidas em legislação e aplicadas em isolação.

Por outro lado, a dinâmica das cidades a partir do século XXI exigiu que o paradigma mudasse completamente e, por conseguinte, que a redefinição do planeamento urbano das cidades estivesse, mais do que nunca, focado nas pessoas. O indivíduo, por razões intrínsecas à acessibilidade, dita as regras para o sucesso de projectos que envolvam os espaços públicos como agentes dinamizadores da economia e geradores de cidades criativas e sustentáveis.
Mercados informais (Luanda)

Um estudo publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) refere que 61% do emprego urbano em África são informais, ao passo que na América Latina e Caraíbas atinge 40% e até 60% na Ásia.

Esta predominância verificada neste estudo é também constatada em Luanda, devido à falta de emprego, à crescente pressão demográfica e à contínua falha por parte dos órgãos administrativos para solucionar a questão do mercado informal.

“Desde 2001 que vendo aqui, sempre vendi nesta mesma zona desde que iniciei essa minha actividade no negócio ambulante. Levanto-me às cinco da manhã e apanho dois táxis, um para o mercado do Kicolo, para apanhar a mercadoria, e outro até aqui (António Barroso-Maianga). O bom é que no cacimbo a fruta demora pelo menos dois a três dias a estragar-se e assim posso ter mais dias para vender a mesma fruta; mas no tempo de calor só temos mesmo um dia para vender tudo devido à conservação. A partir daqui, temos de andar pela cidade, em vários locais, para poder despachar o negócio”, relata Júlia, uma vendedora ambulante.

Muitos romantizam o esforço das zungueiras *, outros admiram a sua resiliência, mas todos usufruem da conveniência de comprar artigos na praia, no meio do trânsito ou mesmo à porta de casa. A venda ambulante existe dada a procura e poder de compra do consumidor, que dita as regras e exige conveniência, e por sua vez a zungueira oferece os seus produtos – a leida oferta e da procura que sugere o economista Adam Smith (1776).

Os actuais mercados informais em Luanda, como em qualquer outra metrópole, encontram-se em espaços de grande fluxo urbano: pontos de encontro, interfaces, vias estruturantes e terminais. Aí, a mobilidade individual e colectiva é um desafio que condiciona o trânsito, a falta de segurança, higiene e acessibilidade. Onde também convergem pontos de venda de bens e serviços e, de forma predominante, a venda ambulante, que, embora não monitorizada ou contabilizada, produz e mantém um sistema de sobrevivência que na prática gera rendimento para inúmeras famílias, facilita o acesso a produtos de consumo e impulsiona a circulação da moeda.

É como estar na amazon.com, no nosso caso no Asa Branca, onde a variedade de produtos é imensa e diversificada. No entanto, tal como no mundo virtual, também os espaços dominados pelo comércio informal devem obedecer a uma oferta e procura com regras.

Leia mais, nesta edição de Agosto da Revista Rumo, já nas bancas. 

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