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Há um elefante na sala e…

Se há elefantes na sala, meus caros, há que transformá-los em formigas. Seres mínimos, mas trabalhadores, que o máximo que nos podem fazer é cócegas. E sentir cócegas não é mau.

Por: Nilza Rodrigues

Directora Executiva da Media Rumo

E…nada. Era uma sala grande. Aquela que albergava as reuniões gerais da empresa Y e em que todos,de gravatas de um colorido sóbrio, (mas colorido, atenção) e tailleurs engomados até ao ínfimo das golas e dos punhos à Lagarfeld (entenda-se punhos com personalidade), em que todos se sentavam na primeira terça-feira de cada mês para religiosa e supostamente fazerem um brainstor ming. O subject era sempre o mesmo e vinha por mail assim resumido, curto e grosso: ‘Ponto de situação’.

Bom, ponto de situação da empresa. Ponto de situação do produto da empresa. Ponto de situação de cada departamento de cada um dos chefes de secção presentes na sala. Demorava, também religiosamente, 44 minutos. Aos 45 minutos já se sentia o nervoso miudinho dos papéis a mexerem-se e a quererem ser arrumados na pasta de couro preto com as siglas da empresa gravadas, sublime e elogiado feito do departamento de marketing como se fosse a última coca-cola do deserto.

Tudo artefactos de menor importância, não fosse o vazio de uma sala repleta de cabeças pensadoras que ali se ficaram e foram ficando ao longo dos tempos a debater o ‘nada’. As actas, à semelhança do meeting, era uma imaculada folha A4 branca com o famigerado ‘subject’ e a conclusão: ‘A empresa está a viver um período de notória estabilidade.

E os produtos estão em conformidade. E assim sucessivamente até aquela terça-feira em que o presidente da empresa tomou a palavra para fazer o tal ponto de situação e dizer, também num tom curto e grosso: ‘A empresa encerra portas no final do mês.

As contas demonstram que afinal não está a atravessar um período de gramde estabilidade e os produtos não estão em conformidade”. E mais não disse. Também. Em todas as reuniões há um elefante na sala. Pode ser de pequena ou grande dimensão.

O importante é não olhá-lo de frente porque vai trazer confusão. Preferivel, contorná-lo. Darmos pancadinhas nas costas uns dos outros sem nos determos a pensar que o nosso foco tem de estar na produtividade da nossa empresa e na nossa própria. E descartamonos dessa responsabilidade é não vermos a empresa como ‘nossa’, como ela deve ser olhada de facto.

Em primeiro lugar como o ganha-pão das nossas famílias. Por isso devemos valoriza-la e dar inputs sucessivos para que cresça de forma sustentada. E em segundo, olhá-la como o projecto onde dedicamos grande parte do nosso tempo, do nosso know-how, da nossa vida. O projecto que nos faz sentir vivos, quiçá realizados, ou pelo menos com uma visão de carreira que nos orgulhe. Se há elefantes na sala, meus caros, há que transformá-los em formigas. Seres mínimos, mas trabalhadores, que o máximo que nos podem fazer é cócegas. E sentir cócegas não é mau. O poeta Eugénio de Andrade falava em cócegas do crescimento. E falava bem…

 

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