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Os desafios do novo PR

Não há fórmulas mágicas para que um País saia de uma crise, seja ela qual for, mas há caminhos que podem ajudar a que se dê a volta por cima mais depressa – e com mais sustentabilidade. O novo Presidente da República de Angola já indicou qual o rumo que defende: atrair investimento, apostar nos privados como ‘motor’ económico, diversificar a economia, esquecendo “um pouco” o petróleo, reformar o Estado, combater a corrupção e o nepotismo. No papel, parece fácil. Mas os desafios espreitam a cada esquina.

Por André Samuel 

andre.samuel@mediarumo.co.ao 

Um sistema financeiro saudável é essencial para apoiar os processos de investimento de que Angola necessita.

Numa análise recente, a agência de notação financeira Moody’s lembrou que a estabilização do sector financeiro é outro dos desafios do novo Governo.
E sublinhou que, do ponto de vista social, podem surgir pressões, dada a erosão do poder de compra das famílias, ‘fustigadas’ por uma taxa de inflação homóloga de cerca de 40% em 2016 e que, este ano, até Agosto, já passou os 25% quando atingiu 10 pontos acima da meta que o Orçamento Geral do Estado de 2017 fixou.

“O desafio será um objectivo pessoal para João Lourenço, embora conte com o partido que representa, que demonstra que pode lutar para alcançar essa meta.

Estes desafios são objectivos a serem cumpridos através de um plano de acção e isso foi apresentado na campanha política”, afirma o economista Pedro Lukusse.

O slogan da campanha que conduziu Lourenço à vitória – Melhorar o que está bem, corrigir o que está mal – despertou a atenção dos angolanos, que irão, provavelmente, seguir mais de perto as acções do novo Governo, na expectativa de sentirem as mudanças de que o País precisa.

À Efe, João Lourenço garantiu que o Executivo irá concentrar-se principalmente no desenvolvimento económico e social.

“Os nossos dois presidentes, António Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos, alcançaram, o primeiro, a independência e, o segundo, a paz e a reconciliação, conquistas fundamentais que possibilitaram inúmeras mais-valias” reconheceu.

“Angola tem enormes recursos e condições necessárias para criar um ambiente de negócios que incentive os investidores a virem ao nosso País. Temos as bases, devemos investir na educação, nas pessoas, porque o desenvolvimento económico não é apenas uma questão de recursos”, afirmou.
O lugar da economia

Não espanta que a economia ocupe um lugar de destaque no Programa do MPLA (ver infografia – temas que merecem suporte político), assim como não surpreende que o documento e João Lourenço refiram um plano de privatizar empresas públicas, reduzindo a omnipresença do Estado na economia – e libertando-o de ‘pesos’ que, provavelmente, seriam melhor geridos por privados.

Ainda na área do investimento, o documento prevê, nomeadamente, criar e implementar Programa de Promoção do Investimento Directo Estrangeiro, elaborar e operacionalizar o Estatuto do Investidor Estrangeiro, criação de mecanismos de protecção de investimento e avaliação da atribuição de incentivos fiscais atractivos ao investimento estrangeiro.

Sobre o desafio da atracção de investimento estrangeiro, o economista Rui Malaquias reforça que todos os investidores “exigem como condição a estabilidade política e social, e a plena mobilidade para si e seu capital”.

“É pública a intenção e a necessidade, no que respeita ao parque empresarial público, de reestruturar o que é reestruturável, privatizar o que tem potencial e margem de crescimento, e encerrar as empresas que não interessam (sequer) ao privado”, lembra Rui Malaquias, defensor de um modelo onde “o Estado deverá ser o especialista em prover bens públicos”.

Leia mais nesta edição Setembro/Outubro da Revista Rumo. 

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