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Biocom poderá ultrapassar previsões na produção de açúcar

O resultado deixa bons indicadores para o cumprimento da meta fixada em 62.946 toneladas de cana-de- -açúcar e beneficia a produção de etanol e energia eléctrica.

A Companhia de Bioenergia de Angola, Biocom, terá já alcançado 72% da produção de cana-de-açúcar da safra 2017/2018, segundo o director comercial da empresa, Fernando Koch, que falou em exclusivo ao jornal Mercado. O resultado deixa, assim, bons indicadores para o cumprimento da meta fixada em 62.946 toneladas de cana-de-açúcar. Até à última sexta-feira, os números de produção de açúcar eram de 45.597 toneladas de açúcar, 10.000 metros cúbicos de etanol e a geração de 42.876 megawatts de energia eléctrica, desde o início da colheita, em finais de Julho último até Setembro do ano em curso.

Esta safra decorre sobre uma área plantada de 20 mil hectares. Esta meta poderá igualmente beneficiar a produção de mais de 15.278 m³ de etanol, face ao período anterior, e a exportação de 200 Gw/h de energia eléctrica, que é comprada pela empresa pública, RNT (Rede Nacional de Transporte de Electricidade). As metas previstas no plano de negócios desta agro-indústria indicam, entretanto, que a produção de açúcar atingirá as 256 mil toneladas.

Já a produção de etanol será de 33 mil m³, podendo ascender aos 235 Gwh de energia exportável em 2020/2021, período apontado como o de maturidade do projecto. O director-geral adjunto da Biocom, Luís Bagorro Júnior, disse, noutra ocasião, que os níveis de produção de açúcar poderão ultrapassar as 270 mil toneladas, numa área plantada de 40 mil hectares. O responsável acredita que, na segunda fase, estes números poderão ser duplicados, contando com um reforço do investimento consolidado de mais 520 milhões USD (cerca de 90 mil milhões Kz).

Produção nacional valerá 60% do consumo

Os níveis de produção da agro-indústria de açúcar, de acordo com as previsões do plano de negócios da Biocom, poderão representar entre 50% e 60% de todo o consumo do mercado nacional em 2020/2021. Estima-se, no entanto, que o mercado angolano consuma cerca de 350 mil toneladas de açúcar/ano. Para responder ao défice de produção nacional, Luís Bagorro Júnior justifica que a Biocom se juntou ao leque de empresas que importam o açúcar para atender tamanha procura.

“A Biocom por si só não resolverá este problema, tal como não acontece em nenhuma parte do mundo, o histórico de outros países mostra- -nos que há sempre outros players. Se tivermos vários produtores, não só resolvemos o problema da produção interna como também poderemos exportar”, avançou. Além do açúcar, o País importa cerca de 1000 m³ de álcool neutro. “Nós vamos produzir 33 mil m³ de etanol neutro, quando atingirmos a maturidade e desta forma reduziremos a importação que o País faz de álcool”, garante Luís Bagorro. A Biocom é um dos maiores investimentos privados, do sector não- -petrolífero.

Para o arranque do projecto foram investidos 750 milhões USD, dos quais 500 milhões USD resultaram de financiamento de um sindicato de bancos e o restante veio de três accionistas, nomeadamente, o Grupo Cochan (40%), Odebrecht Angola (40%) e Sonangol Holdings (20%).

Esta é a única fábrica de açúcar, etanol e energia eléctrica do País baseada na cana-de-açúcar, que poderá atingir a sua maturidade, de acordo com o plano de negócios, em 2020/2021. A fábrica, com uma capacidade instalada para produzir 250 mil toneladas de açúcar por ano, neste momento emprega 2352 trabalhadores, dos quais 2344 são nacionais (actualmente, 7% são expatriados). Prevê–se para o biénio 2017/2018 uma empregabilidade de 3064, dos quais 2948 nacionais, ou seja, uma redução para 3% de expatriados.

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