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Uma aventura chamada… Gestão em África

Por Nilza Rodrigues
Directora executiva da Media Rumo

Convidaram-me, certa vez, para falar sobre liderança em África. Releguei a questão do feminino. Propositadamente. No continente, a liderança, per si, assume uma proporção diferente. E é essa singularidade que lhe dá um gostinho especial. Quando tudo corre de feição numa empresa, é tão bom ser líder. Dar os bons dias com um largo e contagiante sorriso, abrir o gabinete, sentar, rodopiar na cadeira, pensar positivo, olhar os rostos satisfeitos dos colegas e ler os mails de júbilo dos administradores e accionistas, satisfeitos com a nossa performance. E, quem sabe, até somos surpreendidos com um emoji. Abençoada linguagem contemporânea.

Assim imagino a Google. A melhor empresa do mundo para se trabalhar. A líder do The Great Place to Work tem uma sede invejável no Silicom Valley. Uma paleta de cores revigorante. Um mega jardim com referências divertidas sobre as mais diversas tecnologias. O Youtube, adquirido pela Google em 2016, até tem um escorrega no interior. ~
Maravilha. A Alphabet (da qual agora a Google é subsidiária) factura na ordem dos 90,2 mil milhões USD/ano e por isso dão-se ao luxo de dar aos seus engenheiros 20% do seu dia para se dedicarem a projectos do seu interesse pessoal. Algo que designam como o Innovation Time Off. Às sextas-feiras, os novatos usam o boné GIF – Thank God is Friday –o que pressupõe que também tenham um humor apurado. Não poderia ser mais perfeita. Os googlianos – seres baptizados por mim que trabalham na Google – só podem exaltarfelicidade.Gosto de imaginá-los… em África.

O nosso continente recebia-os de braços abertos, como diz a fadista Marisa na calorosa e emotiva música da TAP. Todos alinhadinhos. Com últimos modelos de pc’s, com secretárias ‘xpto’ e net à velocidade…diria…instável. Mas instável é bom. Partindo do princípio de que dantes nada tínhamos. Gosto de imaginá-los a marcar reuniões. A fugir ao trânsito. A serem apanhados por uma tempestade de Verão. A lidar com um corte súbido de energia. A correr atrás dos papéis. Penso nisto tudo com um sorriso nos lábios e uma maldade inocente. É que ser líder no continente africano assume um outro significado, uma outra resiliência, um outro carisma até. O ‘fazer acontecer’ tem de ser o nosso verbo.

Logo a seguir ao ‘to be’. A aprendizagem faz-se de menino e moço e não pára mais. Pode evoluir para o mercado informal ou para a formalidade, cheia de procedimentos, até se chegar, estamos a chegar lá, a um ponto considerado…ideal. Um compromisso entre o passado do continente e o futuro que se pretende, tendo como base as boas práticas e fazendo aquilo que se chama um ‘positive jump’ encolhendo os passos que as economias mais maduras já deram. Um aprendizado que tem de ser feito, e aqui reside o segredo, sem descaracterizar o continente. Impor um modelo americano ou europeu em África vai resultar num redondo fracasso.

Não é preciso ser muito perspicaz para sentir o efeito nefasto de já várias tentativas frustradas. O líder aqui tem de ter um alcance de visão tão longo quanto a sua sensibilidade para gerir um ‘modus operandi’ muito próprio. A casa Google em África teria de obedecer a um outro casting. A equação talento versus personalidade é, tem de ser, a primeira matemática a ser feita. A primeira que quase inactamente me vem a cabeça na hora da contratação. Já Beethoven nos tinha premiado com a máxima “Um génio é composto por 2% de talento e 98% de perseverança”. Vulgo trabalho.

Vulgo força de vontade. Vulgo espírito de equipa. Vulgo criatividade. Um savoi-faire que se aprende no dia-a-dia. Se seria mais fácil no Silicom Valley? Talvez. Mas aqui, em África, a liderança tem outro sabor. A conquista tem mais emoção. A aventura ganha outra dimensão. E no final do dia, o põr-de-sol é nosso e o Amanhã (quero acreditar!) também…

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