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Wozniak: “O sistema de condução assistida da Tesla é menos seguro”

“The Woz” disse que, em situações imprevisíveis, o seu Tesla começa a conduzir como se estivesse bêbedo.

Por Ana Rita Guerra 

O co-fundador da Apple Steve Wozniak não acredita que a inteligência dos carros Tesla seja tão segura quanto a construtora diz. “O sistema de condução assistida da Tesla penso que é menos seguro e que eles escondem as estatísticas”, afirmou.

Nos casos de acidentes, questionou, “quais são os números reais?” A conversa era sobre inteligência artificial e o facto de os carros autónomos serem chamados a tomarem decisões pelos humanos, algo que é supostamente mais seguro e promovido pelos proponentes como uma tecnologia que irá reduzir a mortalidade nas estradas.

“Três vezes menos acidentes? Não acredito nisso.” Wozniak até é um defensor da Tesla de Elon Musk, que acredita ser a próxima empresa com uma ideia revolucionária como a Apple teve com o computador pessoal. Mas no caso da condução assistida, tem muitas dúvidas. “Se aquilo está em auto-piloto e algo acontece a pessoa trava e desactiva”, aventou, sugerindo que é por isso que as estatísticas não responsabilizam a condução assistida pelos acidentes. “Há uma manipulação das palavras.”

Woz acredita que as estatísticas oficiais não são reais. “Não acredito. Vejo muitas situações perigosas com o meu próprio Tesla.”

Wozniak, que passou de céptico a entusiasta em relação à inteligência artificial, revelou que o seu carro “começa a agir como se estivesse bêbedo” em certas situações, se houver obras ou não perceber o que se está a passar. “Estamos muito longe do nível 5 de automação, em que o carro se dirige sozinho”, explicou.

“A Tesla está para aí no nível 2. Não é inteligência, é inteligência simulada, não consegue lidar com o mundo real da forma como os humanos conseguem.”
“The Woz” falava durante a conferência AI Deep Dive, organizada pela empresa portuguesa Feedzai. O visionário discutia com a jornalista Deirdre Bosa o futuro da inteligência artificial e a sua ameaça, ou não, contra a humanidade. “Se houver inteligência artificial real, o carro vai-se proteger a si próprio, não os humanos”, disse Woz perante uma audiência surpreendida.

“É uma questão que não vale a pena perguntar”, respondeu, quando Deirdre perguntou o que ele pensava sobre o facto de os carros autónomos poderem vir a decidir sobre a vida do condutor ou dos peões, por exemplo. “É filosófica. Já vivemos com essas decisões, como humanos.” No entanto, Woz acredita que a tecnologia deve ser desenvolvida. “Somos impelidos a mudar o mundo”, resumiu. Por outro lado, acha que é impossível regredir a evolução galopante da inteligência artificial. “Como é que vamos pará-la?”

A conferência AI Deep Dive foi organizada pela Feedzai em Las Vegas durante o evento financeiro Money 20/20.

Dinheiro Vivo 

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