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OPEP e Rússia querem manter política que fez subir preços do petróleo

Maiores produtores reúnem-se nesta semana para decidir se estendem cortes até final de 2018, o que pode fazer subir preços.

Os grandes produtores de petróleo estão a negociar uma extensão do acordo de cortes de produção que tirou os preços do ouro negro de mínimos.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e a Rússia decidem nesta semana se continuarão a limitar a produção, uma estratégia que levou os preços do petróleo a subir 35% neste ano. A decisão final depende não só de entendimentos diplomáticos, mas também da previsão de como os concorrentes americanos que produzem petróleo de xisto vão aproveitar os preços mais altos para roubar quota de mercado.
A indicação dada pelos países da OPEP antes da reunião decisiva de 30 de Novembro é de que os cortes são para manter. Também do lado da Rússia, tanto Vladimir Putin como o ministro da Energia, Alexander Novak, têm sinalizado que apoiam novos cortes coordenados de produção.

Apesar dessas indicações, o ministro da Economia russo, Maxim Oreshkin, disse na semana passada que o acordo está a prejudicar a economia dada a quebra no investimento, o que indicia que Moscovo não facilitará nas negociações. A Bloomberg considera mesmo que Putin é agora o líder mais influente na OPEP, apesar de a Rússia não fazer parte da organização. No fim de 2016, os membros desta organização e outros países produtores, como a Rússia (os dez maiores produtores são Rússia, Arábia Saudita, EUA, Iraque, Canadá, Irão, China, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Brasil), acordaram em travar o ritmo de produção em 1,8 milhões de barris por dia.

Um entendimento difícil, já que nenhum país queria cortar mais do que os outros e exigiu intensas negociações entre Riade e Moscovo. O acordo expira em Março e agora está em cima da mesa uma extensão dos cortes até final de 2018, proposta incentivada pela Arábia Saudita numa altura em que tenta diversificar a economia e fazer que a sua petrolífera, a Aramco, protagonize a maior entrada em bolsa da história. O acordo sobre os cortes pretendia deixar os preços historicamente baixos, de forma a mitigar problemas nas contas públicas desses países. E a estratégia aparenta dar resultados.

Desde o início do ano, o preço do barril de brent, que serve de referência para o mercado português, subiu cerca de 35%, para mais de 63 dólares, o valor mais elevado desde meados de 2015. O ouro negro chegou a valer menos de 30 dólares em 2016.

A subida dos preços intensificou-se nas últimas semanas, com os investidores a apostar na extensão dos cortes na reunião desta semana. No último mês, o valor do brent subiu mais de 10%. E uma sondagem da Reuters junto de analistas apontava que, caso a política de cortes fosse prolongada, os preços continuariam a subir em 2018. Mas a recuperação dos preços está a permitir que a indústria de petróleo de xisto nos EUA, mais caro de produzir, recupere, depois de ter sido arrasada em 2014 e 2015 pela estratégia da OPEP de produzir o máximo que conseguisse para defender a sua quota de mercado.

Os EUA estão a aproveitar as subidas e já aumentaram a produção em 15% desde meados de 2016, segundo a Reuters. Segundo a Bloomberg, a OPEP chamou analistas de topo para tentar perceber como os EUA estão a aproveitar a subida dos preços antes de tomar uma decisão sobre o prolongamento dos cortes. Preços acima do estimado no OE O preço do brent está 16% acima da estimativa que o governo tem para o valor médio em 2018. No Orçamento do Estado, o executivo fez análises de sensibilidade ao impacto do petróleo mais caro na economia nacional. Concluiu que “se o preço do petróleo em 2018 aumentar 20% face ao inicialmente estimado, a simulação aponta para um impacto negativo no crescimento real do PIB na ordem dos 0,1 pontos percentuais”. Também a “capacidade de financiamento da economia face ao exterior” seria “afectada negativamente por via de uma degradação do saldo da balança comercial”. O governo estima que o brent tenha um valor médio de 54,8 dólares em 2018. Neste momento está a valer mais de 63 dólares.

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