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Spillover, crowding out e outros palavrões em ‘economês’

Volta e meia, lá vai um palavrão em “economês” e fica todo o mundo a olhar… Uns porque não entenderam, outros porque acham chato este inglesismo e ainda outros a concordarem, porque esses são os palavrões certos para o contexto.

Por Naiole Cohen dos Santos
Economista/MBA em Finanças 

Conceitos como corporate governance e compliance já estão “dentro” do vocabulário, e minimamente já há uma ideia do que se pode pretender dizer. Mas com relação ao spillovere crowding out podemos assegurar que ainda são termos em “economês” complicados de se entender.

Não vou contar uma história, mas é fácil concordar que exemplos práticos e pequenas histórias são, de vez em quando, a melhor maneira de passar uma ideia ou de digerir alguns temas técnicos. Por exemplo, quando estamos no mercado de trabalho e notamos que só uns trabalham e outros vivem do espírito de laissez-faire, então o mais provável é que com o passar do tempo a parte que se esforça perca o entusiasmo e motivação e decida também adoptar a atitude do “deixa-andar”. A lei do menor esforço não cansa, não requer disciplina nem rigor.

Pode parecer uma brincadeira, mas este pequeno exemplo da treta pode explicar o efeito spillover. Pois não é mais do que o efeito positivo ou negativo que uma determinada acção pode gerar sobre outros que não se encontram directamente envolvidos nela. É crucial reforçar a ideia em Angola do efeito de bons exemplos éticos e produtivos, pois são contagiantes, com efeitos multiplicadores positivos. Os maus exemplos, como os da “ teoria do deixa-andar”, estão muito vivos e são brutais no impacto da perda de produtividade e na atitude perante o trabalho e a sociedade. Nem vale a pena alongar!

O crowding out é outra história, com uma outra conversa em “economês”. Por exemplo, quando nos sentamos num sofá e de repente alguém muito maior e mais forte que nó também se senta, imediatamente retira uma parte considerável do espaço, com risco de ficarmos bem apertados… Sem dúvida que é mais um exemplozito da treta, mas dá para explicar “o chega pra lá”. Quando pensamos em Angola, em que o Estado é o maior agente económico e que toma a dianteira na tomada de fundos da banca com a emissão de obrigações e deixa o sistema financeiro sem recursos para distribuir em crédito à economia, e sobretudo para as micro e PME, então não deve ficar difícil entender o “empurra pra lá” que o agente gigante faz à economia. Pois diminui a liquidez e pode implicar um aumento da taxa de juro para o sector privado. Outro tema para não alongar!

Estas coisas de comunicar em “economês”… nem sempre é fácil, mas é preciso começar a entender que o efeito de spillover, quanto mais positivo for, maior será a motivação de se criar o efeito e vontade “de bem-fazer”. Quanto ao “espaço no sofá”… o melhor é pensar no reposicionamento do sector público, de forma que o resto da economia não fique tão crowding outa ponto de não conseguir ser competitiva.

Espero que não esteja a olhar para o ar ou para os lados ainda mais baralhado por ter sido mais uma conversa em “economês” com tantos palavrões que nem dá para o spilloverda ideia e que acaba de deixar muitos leitores crowding out do assunto.

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