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Tecnologia vai dominar o mercado de trabalho em 2018

Recrutadores, empresas e formadores acreditam em mais contratações, melhorias salariais e avanços no ensino universitário

Dinheiro Vivo

Os tempos da crise ficaram para trás e os próximos anos fazem antever um futuro risonho para o mercado laboral português. Esta é a visão que recrutadores, empresas e formadores têm para a realidade profissional portuguesa, a quem o Dinheiro Vivo pediu antevisões sobre o que 2018 reserva aos trabalhadores nacionais.

No caso das empresas, “as que sobreviveram à crise aprenderam a trabalhar com estruturas mais reduzidas e com trabalhadores polivalentes, para dar uma resposta mais célere ao mercado. Por isso, estão hoje mais preparadas do que nunca”, considera Sílvia Nunes, directora da recrutadora Michael Page Portugal. Todos os anos a Michael Page avalia o desempenho do sector laboral nos países em que opera, de modo a tentar prever o ano seguinte. No caso português, tal como no resto do mundo, Sílvia Nunes diz que as áreas tecnológicas ou associadas à tecnologia terão um futuro assegurado, mas não só. “A área financeira tem mantido o seu ritmo. Pensamos sempre que será uma área que vai contratar menos, mas não tem sido assim.

O marketing é das áreas que mais têm contratado, porque o próprio comércio está mais digital do que nunca. A indústria e a logística têm mostrado uma tendência positiva. Há também a área comercial tradicional, que a cada ano tem um bom nível de procura, porque o mercado abre e lançam-se novas áreas de negócio. E as equipas comerciais fazem sempre falta no momento em que é preciso dinamizar essas novas áreas”, refere.

Questionada sobre salários (e porque, segundo um estudo da Michael Page, mais de metade dos portugueses esperam ser aumentados em 2018), a representante diz que “todos os anos tem havido uma melhoria generalizada a nível das remunerações”, adiantando que “não se prevê um aumento francamente significativo, mas sim ligeiras melhorias”. E será que os profissionais do futuro estão devidamente preparados? Quem está do lado empresarial diz que nem por isso. “O nosso ensino continua muito distante da realidade do mercado de trabalho, das temáticas e certificações que as nossas firmas precisam, nomeadamente nas tecnologias de informação.

Os conteúdos e programas oferecidos no ensino não permitem que os nossos jovens tenham acesso às ofertas de emprego que estão disponíveis”, aponta o responsável pela área de negócios do grupo Rumos, Jorge Lopes, que volta a lamentar a falta de talentos para absorver as oportunidades: “Às áreas mais tradicionais do desenvolvimento aplicacional ou à administração de bases de dados, ainda muito deficitárias em termos de recursos humanos, juntam-se agora áreas como a ciência de dados, ciber segurança, ou a computação na nuvem, que carecem de profissionais preparados. E esta necessidade irá ser cada vez maior no futuro.” Leitura diferente tem Anabela Possidónio, directora executiva do Lisbon MBA, da Católica-Lisbon e Nova SBE, que salienta os avanços no ensino nacional: “A prova desta afirmação é que, cada vez mais, as escolas de Gestão portuguesas figuram entre as melhores do mundo e Europa nos rankings do Financial Times”.

A directora do único MBA português incluído no ranking de MBA executivos do Financial Times reconhece que podem ser feitas melhorias no panorama educativo, como a “introdução de competências como capacidade de negociação, partilha, empatia e cooperação, que são fundamentais para o sucesso. Em jeito de resposta à crítica feita por Jorge Lopes, Anabela Possidónio entende que ainda há uma “componente teórica muito forte” no ensino universitário, mas “ao longo dos últimos anos tem-se verificado uma alteração neste padrão”. Por fim, a directora do Lisbon MBA deixa um recado ao governo: “O principal desafio para as empresas são as constantes alterações legislativas. Os desafios são inúmeros, mas o principal parece-me ser sem dúvida a enorme carga fiscal a que as empresas estão sujeitas.”

 

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