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As Startups que vão mudar 2018

Start-ups: Vencer no mundo Tech

Por Cláudia Simões Fotos Njoi Fontes

Cinco empreendedores na flor da idade com muito para oferecer. Assim se apresentam Paulo Rosa, Doriel Fonseca, Carlos Baptista, Erickson Mvezi e Vanda Oliveira. Esta não é uma história de veni, vidi, vici,pelo contrário, é um relato de persistência e pequenas vitórias no mundo do empreendedorismo nacional. Cada um representa uma start-upespecífica, mas todas surgem da mesma visão: reconhecer o que falta no mercado e colmatar essa lacuna. Contudo, os caminhos para essa descoberta foram completamente distintos. “O projecto surgiu com base na ideia de criação de uma empresa entre amigos, e, juntos, constituímos a PowerON”, afirma Paulo Rosa, CEO da PR19, detentora da start-upNa Via, que venceu este ano o terceiro lugar no concurso para start-upsSeedstars.

O empreendedor relembra que, com o tempo, outros integrantes do grupo foram abraçando outros desafios, e por fim ficou sozinho. “Fui desenvolvendo outras ideias e pondo-as em prática. Nunca desisti de nenhuma delas, algumas ficaram em standby,aguardando o momento certo.”

Carlos Baptista, criador da Ingresso Prático, explica que a criação da sua start-upaconteceu fruto de um pequeno incidente. “Tinha interesse em ir a um evento, mas infelizmente só estava a ser comercializado no ponto de venda, que por acaso era extremamente distante da minha casa.” Daí ter pensado em criar uma empresa para obviar a esses incómodos e assim fez florescer a ideia daquilo que é hoje a sua start-up,com 10 colaboradores de momento.

A imersão de Erickson Mvezi no negócio das start-upsaconteceu a partir da vontade de fazer melhor. Após ter terminado o curso de Engenharia Mecânica, decide fazer um mestrado em Empreendedorismo Social e parte para São Francisco, nos Estados Unidos. Algum tempo depois, numa conversa com o seu amigo Patrice Francisco, surge a ideia de criarem uma empresa que se dedicasse a serviços de entrega. Num primeiro momento, focar-se-iam em prestar serviço a proprietárias de boutiques, mas logo desistiram quando se aperceberam de que o seu público-alvo ainda não tinha infra-estruturas robustas. A experiência nas terras do Tio Sam levou-o a repensar o projecto, e decide mudar o foco para a restauração – assim nasce a Tupuca.No caso de Doriel Fonseca, ele decide trazer um conceito já aplicado a nível internacional para a sua terra, o crowdfunding. O jovem, de 23 anos, reconheceu que o potencial do seu projecto poderia democratizar o problema de acesso a financiamento que os empreendedores e criadores enfrentavam.“Conheço muitas pessoas com boas ideias, bons projectos, mas que, por falta de recursos financeiros e dificuldade de acesso ao crédito para começar o seu negócio ou testar um produto, esses projectos não chegam a ver a luz do dia”, fundamenta.Aí os caminhos de Doriel cruzam-se com os de Vanda Oliveira, co-fundadora e chefe de operações na Bantu Makers, para a criação da Deya. “Entrámos no Estúdio Startup Bantu Makers em Maio e em Julho já tínhamos o MVP (produto mínimo viável) pronto, mas lançámo-lo apenas em Setembro.”Aventure builderBantu Makers também é responsável pelo florescimento de outra start-up, a Salo, uma plataforma de microtrabalho. Segundo a gestora, a solução da Salo “é trazer uma prática que já acontece offline, os chamados ‘biscates’, para uma plataforma onlineonde o acesso a uma rede de pessoas disponíveis na sua área e com alguma habilidade pode ajudar a completar pequenas tarefas”.

Com experiência em trabalhar na comunidade start-upnão só em Angola, mas também em Lisboa, Viena e Londres, Vanda afirma que o ecossistema para as start-upsno País ainda está em estado embrionário, mas com capacidade para alcançar a maturidade. A co-fundadora da Bantu Makers pretende auxiliar nesse processo de desenvolvimento, para que se possam criar líderes tecnológicos “made inAngola”. Mvenzi conta que a interacção entre start-up sangolanas até há alguns anos era praticamente inexistente. “Estamos no bom caminho! Há mais interacção e iniciativas que vão fomentando o ecossistema de inovação e empreendedorismo. Em 2015 não havia nada disso.”

De acordo com Paulo Rosa, de tempos a tempos nasce uma start-up. Facto que considera positivo, pois “para haver sucesso é necessário diminuir a burocracia na aquisição dos investimentos, de forma que o empreendedorismo possa ganhar dinamismo”. Quem partilha a mesma linha de pensamento é o fundador da Ingresso Prático. Entretanto, Carlos Baptista faz uma extensão da sua opinião, acreditando que a possibilidade de investimento deve ser não só em Luanda, mas sim alargado às restantes províncias.

Aos olhos de Doriel, o que falta para melhorar o cenário do empreendedorismo é consistência nos projectos. “Acredito que ainda estamos a começar”, afirma o estudante de Engenharia Informática, sublinhando que ainda há muito que aprender e “temos de o fazer para podermos construir uma Luanda mais forte e mais empreendedora”.
Para o futuro, Mvenzi anseia por que ao longo do tempo cada vez mais projectos sejam implementados, para contribuir para o desenvolvimento do ecossistema das start-upse, quem sabe, “se continuarmos neste ritmo, daqui a cinco anos teremos uma economia mais diversificada fruto das iniciativas de hoje”.

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