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Apple volta a ser maior fabricante de smartphones do mundo

O iPhone X foi o smartphone mais vendido no Natal e permitiu à Apple ultrapassar a Samsung.

Por Ana Rita Guerra

Mesmo com uma quebra inesperada de 1% no número de iPhones vendidos, a Apple voltou a tornar-se líder do mercado mundial de smartphones no último trimestre de 2017, e ainda aproveitou para bater recordes de receitas e lucros.

A marca ultrapassou a Samsung muito graças ao iPhone X, que foi o smartphone mais vendido durante a época natalícia: quase 30 milhões de unidades, de acordo com os dados da consultora Canalys. Nos três meses finais de 2017, a Apple vendeu 77,136 milhões de iPhones, garantindo uma quota de mercado de 19,2% segundo a IDC. A Samsung passou para a segunda posição, depois de vender 74,1 milhões de smartphones e registar 18,4% de quota. Um dado interessante é que até se esperava que a Apple reportasse um aumento ligeiro das vendas em termos de unidades, o que não aconteceu. Uma semana terá feito toda a diferença: a explicação do CEO Tim Cook para a descida de 1% foi a duração do trimestre fiscal, já que este teve 13 semanas enquanto o período homólogo teve 14 semanas. As vendas semanais de iPhones foram 6% mais elevadas neste trimestre, e isso terá tido impacto no número final. “O iPhone X foi o smartphone mais vendido na época natalícia” disse Cook, “e foi o best-seller da Apple todas as semanas”, informou o CEO durante a conferência com analistas que se seguiu à apresentação de resultados.

Lançado a 2 de Novembro, o iPhone X tem vendido mais que todos os outros modelos e a tendência continua em Janeiro, disse o CEO, lamentando os problemas de stock que impediram que o smartphone chegasse mais rapidamente às mãos dos consumidores. As vendas iniciais do iPhone 8 e 8 Plus foram afectadas pela expectativa relativa ao iPhone X.

Apesar da quebra inesperada no volume de unidades, os preços de venda superiores empurraram a Apple directamente para um novo recorde de receitas e lucros, o que justifica que as acções da empresa estivessem a subir quase 3,5% nas trocas fora de horas. As receitas cresceram 13% para 88,3 mil milhões de dólares e os lucros líquidos subiram 16% para 20 mil milhões de dólares. São números gigantescos, ainda mais se comparados com outras titãs de Silicon Valley a apresentar resultados esta semana: a Microsoft reportou um total de receitas de 28,9 mil milhões e o Facebook registou 12,7 mil milhões no mesmo período.

A Google obteve 32,2 mil milhões e a Amazon 60,5 mil milhões. Nenhuma chegou perto do volume de negócios (ou lucros) obtidos pela Apple, o que explica porque é que a empresa é a mais valiosa do mercado. No entanto, a sombra do abrandamento preocupa os analistas. Tal como referiu ao Dinheiro Vivo o diretor europeu de pesquisa da IDC Francisco Jerónimo, os ciclos de substituição do iPhone estão a ficar mais longos, e isso é um problema para a empresa, já que o smartphone representa dois terços do seu negócio – 61,5 mil milhões de dólares; as receitas provenientes do iPhone aumentaram 13%, mesmo com quebra nas unidades vendidas. Aqui está o problema: a base instalada de utilizadores activos cresce mais rapidamente que as vendas de novos aparelhos. Tim Cook encara isto de forma positiva, dizendo que há muitos consumidores que compram iPhones em segunda mão e alargam a base instalada sem necessariamente haver um aumento correspondente de novas vendas. Os analistas é que parecem menos convencidos, pelas questões insistentes que foram feitas na conferência sobre o assunto. iPad renasce e wearables disparam Ninguém diria, mas o iPad está a viver um renascimento das vendas e das receitas, inclusive ganhando quota de mercado. A Apple vendeu 13,170 milhões de tablets no trimestre, mais 1% que no homólogo, e obteve uma subida de 6% nas receitas. É notável porque este é um segmento em contracção um pouco por todo o lado e a Apple havia sofrido anos de redução de vendas do dispositivo, algo que foi invertido no ano passado. É também interessante tendo em conta que se quebrou uma tendência de subida dos computadores Mac, que desta vez caíram 5% em unidades e receitas (foram vendidos 5,1 milhões).

O problema esteve nos mercados maduros, já que o Mac até cresceu a dois dígitos em mercados emergentes como América Latina, Índia, Turquia e Europa de Leste. As boas notícias vieram da colecção de wearables da empresa, entre o Apple Watch, os AirPods e os produtos Beats. Esta divisão deu um salto de 36% nas receitas (a marca não revela volumes absolutos) e já quase vale tanto quanto os iPads, chegando aos 5,4 mil milhões de dólares. A venda sequencial de wearables cresceu 70%, disse Luca Maestri, sublinhando que estes produtos já dão o segundo maior contributo para o crescimento das receitas a seguir ao iPhone. Em termos de serviços, onde se inclui Apple Pay, Apple Music e iTunes Store, atingiu-se um novo recorde de receitas: 8,47 mil milhões de dólares, mais 18% que no homólogo. Cook anunciou que o número de subscritores pagantes é agora de 240 milhões, o que significa um aumento de 30 milhões nos últimos 90 dias. A empresa revelou também que o Apple Pay vai chegar ao Brasil em breve, abrindo um mercado potencialmente gigantesco para o serviço de pagamento digital. Na próxima semana, a Apple lança uma nova categoria de produtos com o altifalante inteligente HomePod. Tim Cook disse que o entusiasmo do canal e as pré-vendas dão sinais positivos em relação ao desempenho que o produto terá junto dos consumidores.

Dinheiro Vivo

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